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Cultura de Banco de Dados

 

Um aspecto muito importante do controle de risco, que não faz parte da cultura típica encontrada no mercado financeiro brasileiro, é o armazenamento adequado de informações.

O problema vai desde o armazenamento das informações relativas às posições detidas pela instituição, ao longo do tempo, e o valor de mercado de cada um de seus ativos, até a registros de falhas técnicas, fraudes, extravios de documentos, roubo de cartões, assaltos a agências, etc.

Seja qual for a solução adotada para o sistema de risco (opção de uma solução externa ou desenvolvimento interno) o problema de recuperação de dados específicos da instituição financeira permanece, e tem sido cada vez mais exigido pelas instituições fiscalizadoras.

 

Armazenagem e Recuperação de Informações

 

A armazenagem de dados para controle de risco dividi-se em 4 tópicos:

  • dados de preços e índices de mercado

  • dados de posições da instituição financeira

  • resultados do sistema de risco e de P&L ao longo do tempo

  • dados relativos a procedimentos operacionais

Dados de Mercado

Constituem-se de cotações de ativos negociados em bolsas, taxas de juros, e preços dos contratos negociados em balcão. Essas informações constituem peças fundamentais para se obter o valor diário da carteira da instituição (marcar a mercado), no presente e no passado. Também constituem a matéria-prima do cálculo de volatilidades e correlações dos fatores de risco e são fundamentais para simulações históricas. Em princípio, são dados comuns a todos os agentes do mercado e as informações são públicas.

Dados de Posições

Referem-se aos ativos detidos pela instituição financeira em suas carteiras. A matéria-prima são os registros das operações feitas a cada dia que devem ser processadas a fim de se obter o estoque diário de cada papel disponível na carteira.

Essa informação é privada, de caráter estratégico e revela as idiossincrasias de cada instituição. Do ponto de vista de um sistema de risco bem montado, não só as posições atuais da carteira devem estar disponíveis, como também as posições ao longo do tempo devem ser de fácil recuperação.

Isso porque, para se reconstituir o valor da carteira da instituição num momento passado, e, portanto, para se calcular seu risco (seja de mercado, crédito, etc) no passado, é indispensável que tantos preços e cotações, quanto as posições de cada dia estejam disponíveis.

Resultados do Sistema de Risco

É fundamental para a calibragem e aferição do sistema de risco o armazenamento dos resultados diários da mensuração de risco. Isso implica não apenas guardar as medidas de risco, como os cenários de stress e perdas em stress, tanto para o agregado da instituição, como para as carteiras (ou books) individuais das mesas, dos traders, e das unidades de negócio. Também é importante a segregação do risco por fator de risco e, se possível, até por instrumento.

Por que guardar tanta informação? Pois só assim será possível encontrar os pontos fracos da modelagem de risco e, no caso do back-testing, indicar sua sub ou super-avaliação. Por exemplo, se o risco agregado estiver superdimensionado, pode haver problemas na modelagem de um instrumento específico, de um mercado, de um fator de risco ou de uma unidade do conglomerado e apenas com a informação mencionada será possível localizá-la.  

Procedimentos Operacionais

Ainda não existe consenso sobre como medir risco operacional. Existem mais tentativas pontuais, e principalmente o uso de informações de falhas em procedimentos (sejam humanos, burocráticos, ou computacionais) para se tentar descobrir possíveis fontes de problemas. 

Se são falhas passíveis de correção, isso pode ser feito após o diagnóstico do problema (por exemplo, falhas processuais ou tecnológicas). Se são falhas, ou eventos sistemáticos (roubo de cartões de crédito, roubo de cheques) esses devem ser passíveis de mensuração e provisionamento por parte da organização.

A grande questão é que, qualquer que seja a abordagem dado ap problema do risco operacional, a presença de dados é fundamental mesmo em análises qualitativas.

Conclusão

A fase mais sofrida da implementação de um sistema de risco é a captura de dados e posições, operacionalização do mapeamento das posições em fatores de risco e automatização do processo, uma vez que, em geral, tem que ser feita rapidamente para se começar a medir risco. Por outro lado, certamente a parte mais trabalhosa e demorada é a montagem de uma estrutura eficiente de armazenamento e recuperação desses dados.

Em geral, este tipo de demanda envolve um investimento grande em infra-estrutura de banco de dados, e em mão-de-obra altamente qualificada em tecnologia de informação.

No médio e longo prazos, contudo, os resultados de qualquer sistema de mensuração, controle e gestão de riscos são absolutamente dependentes do surgimento de uma cultura de coleta e armazenamento de dados. Só assim se consegue avaliar retrospectiva e criticamente o desempenho da instituição financeira não apenas em termos quantitativos (retorno), mas também e em termos qualitativos (risco incorrido), potencializando, desta forma, o processo de identificação das áreas de excelência na administração dos recursos o qual orientará a tomada de decisão sobre o destino dos recursos a serem investidos futuramente, além, é claro, de identificar fontes de problemas que precisem de correção.

 

Bases de Dados para o Mercado Brasileiro

 

Em termos de fornecedores de dados internacionais, dispõe-se dos tradicionais feeders e agências de notícias, que dispensam apresentações:

Bloomberg World Trade Center of São Paolo
Avenida Nações Unidas
12551/21o. Andar
Saõ Paulo, SP 04578-903
Brasil
5511-3048-4500
Reuters Av. Nações Unidas 17891
8o. Andar
04795-100 Sao Paulo
SP Brazil
55 11 248 5400

Estas agências de notícias disponibilizam informação em tempo real, além de diversos serviços adicionais como curvas de juros, precificação on-line, índices e cotações médias de mercado.

Do ponto de vista do controle de risco feito em frequência diária, as informações utilizadas não precisam ser em tempo real e, em geral, utilizam o fechamento do mercado. As informações de fechamento podem ser capturadas desses feeders uma única vez ao dia, dispensando o uso do serviço em regime full-time. Contudo, ambos possuem notícias e serviços relacionados a risco de mercado que merecem ser acompanhados. Além disso, é importante que os profissionais das áreas de risco acompanhem os movimentos dos mercados e das operações da instituição ao longo do dia para antever possíveis problemas seja no sistema de risco, com posições em instrumentos novos, seja no tamanho e controle das posições.

Entre os serviços nacionais de fornecimento de dados, encontram-se:

Broadcast
Agência Estado
Fone: (0 xx 11) 0800 - 113000
E-mail: comercialae@agestado.com.br
CMA Rua Professor Filadelfo Azevedo, 712
Vila Nova Conceição - São Paulo - SP
CEP 04508-011 - Brasil
Fone: (0 xx 11) 3887-5544
FAX: (0 xx 11) 3887-8016
E-mail: infocma@email.cma.net
Economática Economática Ltda.
Fone: (0 xx 11) 3060-9511
E-mail: info@economatica.com
Enfoque Gráfico Sistemas Rua James Watt, 142, conjunto 31
Fone: (0 xx 11) 5507-5844
E-mail:http://www.enfoque.com.br/email.htm

Entre eles, apenas a Economática não fornece cotações em tempo real, e conexão DDE para captura de dados em sistemas externos, ou planilhas de cálculo, por exemplo.

A Economática e a Enfoque mantêm um longo banco de dados de cotações de ativos financeiros, ajustados para eventos de dividendos, bonificações e etc, o que é praticamente indispensável ao cálculo de risco.

Como solução geral de banco de dados, nacional, existe o:

BDS
Agência Planeta XXII
Planeta XXII - Agência de Informações Especializadas Ltda.
Rua Itapeva, 378 cj. 71
CEP 01332-000 São Paulo - SP
Tel/Fax: (011) 285-6011
E-mail: info@planeta22.com.br  

O BDS é um sistema de banco de dados, que funciona em várias plataformas (SQL, Oracle, Sybase), e que se integra aos feeders para armazenar informações. O BDS por si só não contém dados. A vantagem é que os dados ficam acessíveis a partir de qualquer máquina cliente que possua o Microsoft Excel instalado. Além disso, os componentes de acesso ao banco de dados integram-se facilmente ao desenvolvimento de aplicações independentes que utilizem o BDS. A estrutura do sistema é bastante flexível, permitindo até mesmo o armazenamento das posições em carteira.

 



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